Quarto 307 (Parte 1)

Publicado por: perolagp em 03/06/2019
Categoria: Hetero
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Queridos e queridas contistas, eu sou sim uma garota de programa. Que cobra por hora, por fetiche, que adora o que faz e também o faz por dinheiro. Resolvi abrir a caixinha de memórias e publicar algumas das minhas histórias num blog pessoal onde também divido fotografias e crônicas sobre a minha vida de garota de programa em São Paulo. Aqui no site, irei compartilhar alguns desses contos e relatos.
Este conto foi originalmente publicado em meu blog com o título de "O Hotel Califórnia" e têm 5 partes.


Eu confesso, no início atendia em locais de reputação duvidosa e valores miseráveis. Levava meus clientes para quartos onde podia se encontrar quase todo o tipo de coisa, de cadáveres ressequidos de barata à restos de comida, telefones de outras garotas na porta do banheiro e um odor forte de cigarro de péssima qualidade que eu tentava aplacar com um spray aromatizador de morango que não saia da minha bolsa.
Embora verdade que eu obtivesse um baita lucro daquela forma, acabava transportando também uma enorme quantidade de ácaros que me causaram uma coceira incansável e uma aparência horrenda à minha pele. Se eu planejava ser uma garota educada,simpática e da pele macia, como dizia o meu anúncio, eu precisava urgentemente parar de atender naqueles locais ou desenvolveria uma urticária incurável que levaria à mim e aos meus clientes à óbito.
O grande dilema dessa história é que os homens querem pagar barato no combo garota e local mas exigem qualidade, vejam só! Gastam centenas de reais num carro e ainda mais na revisão desse, compram smartphones no lançamento e aos fins de semana, gastam o dobro do valor de um cachê num churrasco, mas na hora de pagar por sexo, acham um absurdo ter que pagar um cachê de cento e cinquenta reais e um motel com hidro… Era esse o perfil que eu atraía com mais frequência e à isso ainda podia adicionar características como: semi analfabetos e analfabetos, garotos de 12 a 14 anos, punheteiros e golpistas.
Dentre os locais à que eu ia com mais frequência, existia um que não era assim tão ruim quanto os outros: o hotel Califórnia* O dono, um cinquentão semi grisalho, era uma graça e tinha uma queda por mim que era inevitavelmente recíproca, os grisalhos me atraem fatalmente. Os funcionários da recepção, sempre me recebiam com simpatia e partilhavam o café enquanto conversávamos quase na maioria das vezes sobre política, à época, o grande personagem da vez era o atual presidente Bolsonaro, e o que definitivamente fez com que eu elegesse o Califórnia o meu local de trabalho, foi que todos nós discordamos da idéia de ter este homem como nosso governante.
O meu quarto era o 307. Um quarto grande e velho, com um cheiro de mofo que eu invariavelmente tentava vencer com o spray de morango e com uma janela gigantesca que dava direto para a rua mais movimentada do centro. Eu me apaixonei logo de cara! Resolvi que seria ali que eu faria os meus programas, definitivamente. Fui conversar com o Paulo*, o dono do hotel… Queria saber o que ele achava da idéia de me ter ali permanentemente.

*Os nomes foram alterados para a segurança dos personagens


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